Final Feliz

Conversa de dois amigos durante um lanchinho, algum dia no futuro:

— Isto que é comida de verdade!

— Mmmm… bem diferente daquelas coisas que as pessoas comiam no passado.

— Eles nem sabiam o que comiam! Misturavam um monte de coisas na comida, para ela ficar mais bonita ou durar mais. Os pacotes até tinham uma lista das coisas misturadas, mas poucos entendiam.

— E por falar em pacotes: é verdade que eles não sabiam o que fazer com eles? Ouvi dizer que eles tinham montanhas de embalagens usadas que não serviam para mais nada!

— É verdade sim. E parece que não era só isso: para fabricar os pacotes e as outras coisas eles também esfumaceavam o ar e sujavam a água.

— E depois respiravam aquele ar e bebiam aquela água. Que coisa irracional.

— Eles não eram muito racionais. Para movimentar as fábricas eles também acabavam causando outros problemas. Por exemplo, naquele tempo eles usavam energia atômica mas não tinham nem ideia do que fazer com o lixo radioativo. Aí eles enterravam ou jogavam no mar… ridículo.

— Muitas vezes afundaram gigantescos navios que transportavam um negócio viscoso e escuro que eles usavam de combustível e matéria-prima. Cada vez que isso acontecia era um desastre: morriam milhares de bichos. Parece que eles não ligavam muito para a vida…

— Tanto que passaram milênios e mais milênios matando uns aos outros.

— Por que será?

— Sei lá. Talvez porque falavam línguas diferentes, porque adoravam deuses diferentes, por riqueza, por poder… acho que muitos até esqueceram os motivos. Mas seguiram se matando.

— Gastavam muito inventando e fabricando armas. Muito mais do que gastavam para curar doenças ou acabar com a fome, que ainda matava gente naquela época!

— Chegaram a ter armas suficientes para pulverizar o planeta inteiro muitas vezes!

— Brrrr… já me dá um arrepio só de pensar. Ainda bem que de uns tempos para cá as coisas melhoraram.

— É. Desde que aquela gente se findou.

Terminaram de comer suas bananas, ajeitaram o rabo e seguiram pulando de galho em galho em sua feliz vida símia.

(Escrito em maio de 02001. Não sei quando publiquei pela primeira vez na Internet.)